Escuta... eu vou te contar uma coisa. É que não aguento mais segurar isso dentro de mim. Porque eu sou assim mesmo, meio brava, meio mansa. Eu gosto de sorrir e de chorar. Às vezes, mais de chorar. É que o chorar me esvazia. Abre espaço. E eu preciso disso, porque carrego muita coisa comigo. Vai ver é por isso que gosto tanto de bolsas. Eu não sou de esquecer as coisas. Eu gosto de lembrar. Lembrar até o fim. Porque o raso para mim não vale à pena. Ah, não vale! Eu prefiro um vendaval a uma brisa. Eu gosto da sensação das coisas no ar, da parada e do assentamento.
E dentro de mim acontece tanta coisa! Eu penso e sinto tantas coisas ao mesmo tempo! Acho que é por isso que meu humor varia tanto. E talvez seja por isso que preciso tanto falar: para concretizar um pouco e me ouvir em voz alta. Me ouvir em voz alta faz tanta diferença! E isso, pra mim, é quase como se eu me visse de fora. Ah, como eu queria me ver de fora! Deve ser tão diferente. Tão esclarecedor! Me ver através de olhos alheios é pouco. Eu queria me ver de fora com os meus próprios olhos. Às vezes isso me aflige, mas como não vejo solução, engulo a seco.
Dá para perceber um pouco a complexidade? E sou assim na maior parte do tempo.
Então, o que eu tenho pra te dizer é... que eu sou feliz desse jeito. Esse é o meu jeito e eu me dou muito bem com ele. Eu gosto de todos os altos e baixos que ele me proporciona. É assim que eu me sinto viva. É assim.